domingo, 23 de outubro de 2011

O MEU RENASCIMENTO

HÁ SEIS ANOS...

Faz hoje seis anos que, literalmente, renasci…
Depois de ter passado uns dias no meu concelho de origem, na Feira dos Gorazes, na viagem de regresso tive que parar umas quatro ou cinco vezes, contrariamente ao que era normal, pois sentia-me enfartado e cansado. Atribuía tal facto, talvez, ao excesso de consumo da posta mirandesa… Santa ignorância…
No fim dessa semana resolvi ir a Tomar para mostrar à minha mulher as festas de Santa Iria que ela não conhecia.
Saí com o nosso carro da garagem. Enquanto o portão abria, comecei a suar abundantemente, ao que parecia, sem razão aparente, e, de repente, uma dor intensíssima no peito. Desliguei o motor, saí do carro e a dor passou.
Fomos para Tomar… Andei todo o dia cansado…
Deitei-me, como o fazia normalmente… Durante a noite, cerca das três ou quatro da madrugada, a tal dor voltou. Eu teimava em ficar, pois a dor  iria passar. A minha mulher não esteve com meias medidas e ligou para o 112. Passado pouco tempo apareceram os Bombeiros de Miranda do Corvo que, de imediato, me levaram para o Centro de Saúde, local, que então funcionava durante a noite.
A médica de serviço aguentou-me até à chegada da equipa do INEM, já que tinha sofrido enfarte do miocárdio. Entretanto fui dar uma volta ao lado de lá…
Chegado aos HUC fui de imediato submetido a um cataterismo e desobstruída a coronária que estava entupida em dois sítios.
Há certos pormenores de que não me lembro. Fui ao lado de lá e voltei... Fiquei cerca de uma semana nos cuidados intensivos, com prognóstico reservado. Parecia um boneco da michelin, caía para todo o lado, com as máquinas a apitar, constantemente… Por isso considero que renasci nesse dia, 23/10/2005.
Em Julho do ano seguinte, com tempo para ir desta para melhor e poupar um dinheirão aos cofres, foi-me implantado um CDI (cardio desfibrilhador implantável), já que o meu médico-salvador entendeu que ainda era muito novo para ir…
Sem isso, com os acontecimentos posteriores, não tinha aguentado…Por isso, ficar-lhe-ei eternamente grato, pois me deu a possibilidade de acompanhar a minha filha nos seus momentos mais dificeis...

Tinha, pouco tempo antes, feito os exames competentes e tudo estava bem. Não fumo, não bebo, fazemos dieta há mais de vinte anos e não ando nas tainadas (esta a resposta a um outro médico).
Até hoje ninguém me explicou por que tal aconteceu.
Quanto a sintomas… nunca estamos efectivamente atentos para os entender…

Por isto tudo, considero que voltei a nascer no dia 23 de Outubro de 2005.

Ao publicar este episódio não o faço para que tenham pena, mas apenas para que todos estejam atentos aos sintomas. Se tivesse ido logo para o Hospital não estava, de certeza, na contingência de ter que ser submetido a um transplante…

FAÇAM FAVOR DE SEREM FELIZES

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

FEIRA DOS GORAZES



FEIRA DOS GORAZES NO MOGADOURO 

Vai decorrer entre os dias 13 e 16 do corrente mês a Feira dos Gorazes no meu concelho de origem. A última vez que lá fui aconteceu em 2005, precisamente uma semana antes de ter sofrido o enfarte do miocárdio...(23/10).

A seguir uma explicação do que são os Gorazes, sacada de "mogadouro (ho mogadoyro":

----""Uma pequeníssima nota a propósito da origem do termo Gorazes: Viterbo, citando o foral manuelino de Salzedas, abordando o termo "Corazil", que é o mesmo que "Gorazil", ou "Goarazel", diz que se trata de "(...) huma espadoa de porco, a saber, todo o quarto dianteiro com doze costas (...)"."

Segundo o que consta do blogue referido, a Feira dos Gorazes vai estar em destaque no próximo dia 14, a partir das 10H00, na RTP1, Praça da Alegria.
Creio que aqueles que não se poderem deslocar àquele concelho ficarão a saber mais alguma coisa acerca do mesmo. Vão lá... ou vejam.

Abraços e Beijos e... NÃO SE ESQUEÇAM DE SEREM FELIZES

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Festas Solesticiais no concelho de Mogadouro

29/09/2011

Para aqueles que não conhecem aqui fica, com a devida vénia e autorização do meu amigo Dr. Antero Neto, proprietário e autor do Blogue "mogadouro (ho mogadoyro) http://mogadourense.blogspot.com", um post da sua autoria, copiado "ipsis verbis" acerca das festas solesticiais no concelho de Mogadouro.
Este post fez-me voltar à memória acontecimentos do passado e que não mais voltarei a presenciar.
Visitem aquele Blogue, visitem Mogadouro. Não se arrependerão. J.Bártolo


O presente artigo foi escrito para o blogue "Farrapos da Memória", onde se encontra publicado e que agora se reproduz:
" Nunca como agora se assistiu à valorização das raízes. Coincidindo com o abandono massivo do interior e o consequente engrossamento dos núcleos habitacionais do litoral, assiste-se a uma busca do que é genuíno, autêntico, tradicional e rural. Neste contexto, ganham protagonismo certas manifestações dessa ancestralidade, tais como sejam, por exemplo, as festas de solstício.
O concelho de Mogadouro conserva ainda vivas algumas manifestações do solstício de Inverno. Até há cerca de cem anos atrás, existe notícia destes eventos em grande parte das aldeias do concelho. Hoje em dia, apenas quatro mantêm bem viva a tradição: Bruçó, Bemposta, Tó e Vale de Porco.
"Chocalheiro" - Bemposta
Anteriores aos romanos, por estes assimiladas e posteriormente cristianizadas, as festas do solstício de Inverno tomam lugar no período que medeia entre o Natal e o primeiro de Janeiro (algumas, entretanto desaparecidas, também saíam à rua no dia de Reis).

Como é sobejamente sabido, o dia 25 de Dezembro nem sempre foi assinalado como a data do nascimento de Cristo (foi o papa Liberus, em 354, que começou a tradição). Este dia foi associado ao advento do Menino por uma questão de conveniência. Desde tempos imemoriais que o solstício de Inverno é comemorado pelas diversas culturas nesta altura.

Mitra, a incarnação do Sol, a Luz da verdade, nasceu numa caverna, filho de mãe virgem, visitado por três soberanos estrangeiros, no dia 25 de Dezembro, pelo menos 1400 anos antes de Cristo. Os gregos, e depois deles os romanos com as suas “saturnálias” entregavam-se, nesta época do ano, a práticas de exaltação da passagem do ano velho para o ano novo. Trocavam presentes entre si e organizavam festas onde reinava a desordem, apelando ao Sol pela fertilidade da mãe Natureza.

As festas de Bruçó, Bemposta, Tó e Vale de Porco têm diversos elementos comuns. O primeiro, e incontornável, é a época. Em Bruçó, os “Velhos” saem à rua no dia 25 de Dezembro. Tal como o “Chocalheiro” de Vale de Porco. O "Chocalheiro" de Bemposta sai no dia 26 de Dezembro e no dia 01 de Janeiro. O “Farandulo” de Tó sai no primeiro de Janeiro. Em Bruçó, tentou recuperar-se recentemente a figura do Chocalheiro, desaparecida há muito, mas da qual Santos Júnior deixou clara notícia. Nesta aldeia, há ainda notícia de uma outra figura, análoga à que existia na vizinha Lagoaça, que se chamava “Zangarrão” e que saía no dia de Reis.
O "Velho" e a "Velha" - Bruçó
Simultaneamente rituais de passagem para os rapazes das aldeias, estas festas eram igualmente eventos de exorcização dos espíritos maus, apelando ao surgimento das forças benéficas da Natureza, que haveriam de dar vida a um novo ciclo de prosperidade e fertilidade, encerrando o ciclo anterior.
O "Soldado" e a "Sécia" - Bruçó
Se atentarmos nos diversos elementos que caracterizam estes mascarados, facilmente constatamos, por exemplo, o seu carácter apotropaico. O “Chocalheiro” percorre toda a aldeia, pedindo esmola para o Menino, ao mesmo tempo que, com o som que produz, expulsa os espíritos malignos da comunidade. A cor vermelha, abundantemente utilizada nas indumentárias, também não é despicienda. Desde sempre que a esta cor é associada uma finalidade apotropaica.
O "Chocalheiro" - Bemposta.
As máscaras têm cornos e representação de serpentes. Os cornos estão associados ao Touro, símbolo da força e da virilidade. A presença da serpente contém em si duas simbologias: por um lado, os ofídios largam a pele e hibernam. Representam na perfeição a morte do ano velho e a sua substituição pelo ano novo. Por outro lado, estão igualmente associadas à fertilidade pela sua forma fálica (em apontamento lateral, refira-se que o poeta romano Avieno, na sua “Ora Marítima”, indica as terras altas do Norte, como a terra do povo Ofi – o “Povo das Serpentes”. O que, a juntar a algumas gravuras serpentiformes referenciadas na zona, não deixa de ser um dado curioso).
O "Farandulo" - Tó
Alguns destes eventos são, marcadamente, rituais de passagem. O exemplo do Farandulo de Tó é significativo. Existe um ciclo de 4 anos, ao longo dos quais o mesmo rapaz incarna o “Moço”, depois, no segundo ano, a “Sécia”, no terceiro ano o belicoso “Farandulo” e, no quarto ano, o “Mordomo”, figura já completamente integrada na sociedade local.
O "Moço" e a "Sécia" - Tó
Este tema é rico, extremamente interessante e dá pano para mangas. Tenciono voltar a ele num contexto mais alargado e rigoroso. Em jeito de desabafo final, deixo aqui um comentário crítico à excessiva mercantilização, e descontextualização destes eventos que tem lugar através de desfiles promovidos nos grandes centros e representações artificiais promovidas para as televisões, quando por estas solicitadas. Toda a promoção é pouca. O caminho passa pela crescente valorização e divulgação do nosso património imaterial. Para que os visitantes sedentos destas tradições únicas nos visitem. Se levarmos a montanha a Maomé, Maomé já não vem à montanha. O exemplo dos Caretos de Podence é a materialização de tudo aquilo que se deve evitar. Se eu os posso ver, num qualquer mês do ano, numa qualquer cidade, por que razão me irei deslocar a Podence? Estas manifestações, mais próprias de bandas de rock'n’roll, bastardizam e negam a essência dos rituais originais."
Texto e fotos: Antero Neto.

sábado, 10 de setembro de 2011

10 de SETEMBRO - 15HOO

No dia do seu batizado

Para todos os meus amigos e visitantes.
Pois é bem verdade. Passa hoje ano e meio. Foi neste dia e a esta hora que a Susana nos deixou.
Escusado será dizer que as saudades são imensas e é lembrada a toda a hora, em cada local e objecto…
Espero que me perdoem por não ter sido mais assíduo neste nosso cantinho, mas a verdade é que não tenho disposição para tal.
Fica aqui a oportunidade para se poderem manifestar, se assim o entenderem, já que não consigo resolver o problema da postagem de comentários, no angelito.
Como já viram, ofereço-vos também uma foto da Susana, de há muitos anos.
Beijos e abraços para todos e…
NÃO SE ESQUEÇAM DE SEREM FELIZES