sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

"ZÉ" - O ENJEITADO

HISTÓRIA DO “ZÉ”- O ENJEITADO

Passada que é a época natalícia, em que eu procuro passar ao lado, embora respeitando todos os outros e “alinhando” em alguns procedimentos, vou contar-vos a história de um rapazinho, o “Zé”.

Nota prévia: “qualquer semelhança com a realidade é pura coincidência.”

Nos anos quarenta, numa pequena aldeia deste País, nasceu o último dos filhos de uma família relativamente abastada e conceituada.
O “Zé”, acarinhado por todos os familiares, foi crescendo. Terminada a primária, todos estiveram de acordo que continuasse a estudar, o que era difícil, nessa altura.
No concelho não havia liceu ou outra escola. Havia que se deslocar para longe. A opção foi a sua “colocação” num Colégio religioso, num outro concelho bem distante.
O “Zé” era um dos melhores alunos, com médias de 18/19. Daquele Colégio foi transferido para um outro da mesma Instituição, mas ainda mais longe.
Em nenhuma das viagens foi acompanhado. Bilhete de comboio na mão e uma malita com algumas roupas…
O “Zé”, a determinada altura, desistiu de estudar naquele Colégio e regressou a casa dos pais. Estudou mais dois anos num outro colégio que entretanto tinha aberto na sede do concelho.
Sozinho, procurou emprego que encontrou também bem longe de casa. Cedo aprendeu a lutar sozinho, e lá vai ele trabalhar… já um homenzinho.
As idas a casa dos pais tornaram-se cada vez mais raras, mas também ninguém o procurava…
Acabou por se radicar na zona para onde foi trabalhar. Conseguiu subir, na carreira que abraçou, com muito e árduo trabalho. Nunca ninguém se preocupou com o que se estaria a passar: O “Zé” era empregado; os irmãos eram industriais, o que naquelas cabeças significava alguém de categoria superior…a deles.
Entretanto e antes disto, uma das razões por que o “Zé” não continuou a estudar, foi a de que os seus irmãos, com as suas desavenças, tinham levado o pai a uma espécie de falência e tinham “dado de frosques”, deixando o velho com a batata quente…
O “Zé” constituiu família e teve descendência. Só ia à terra para visitar os pais enquanto foram vivos.
Durante vários anos ninguém quis saber da sua existência. Progrediu e estava bem na vida. Quis o destino, ou sei lá quem, que o “Zé” sofresse de doença grave que quase o levou desta para melhor. Safou-se por pouco. Não conseguiu esconder esse facto durante muito tempo. Assim a “embaixada real” deslocou-se à sua residência para o visitar. Chegaram perto do almoço e depois deste foram embora, já que é realmente longe do lugar onde habitam. Estava cumprido o dever…”Ah, isso passa com umas aspirinas…”, diz um deles.
Desde então contam-se pelos dedos, das mãos, claro, as vezes em que telefonaram ao “Zé” e quando o fizeram ou era por engano ou porque precisavam de algum apoio para resolução de problemas deles.
A sua descendente apercebeu-se de tudo e não lhes perdoou tal procedimento. Quis o “destino” que também essa descendente do “Zé” adoecesse gravemente… Entretanto a “menina” do “Zé” que adorava o pai, proibiu-o terminantemente de comunicar o que se passava aos familiares, o que foi cumprido.
A “menina” acabou por falecer… e o “Zé”, tal como lhe competia, comunicou o facto, após as cerimónias, àqueles seus familiares. Alguns telefonaram, outros nem isso. Desde então, e já passou bastante tempo, o “Zé” recebeu dois telefonemas de um dos irmãos que se enganou a marcar o número, um de um outro que “precisava de autorização” para lavrar uma terra e agora nesta quadra natalícia, um, de uma outra familiar, que em resumo se limitou a dizer que “se sentiam postos de lado”.
Coitado do “Zé”… os “senhores” sentem-se enjeitados pelo empregado…
Quando o “Zé” precisou de apoio e carinho foram os seus, muitos, amigos que lho deram. Nunca contou com a “família”.
Diga-se, de passagem, que durante a última ida à terra, um dos sobrinhos passou pelo “Zé” três vezes, num pavilhão de uma feira, e não foi capaz de o cumprimentar. Um outro não trocou as cervejas que estava a emborcar para ir cumprimentar os tios que por ele esperavam.
Hoje o “Zé” está gravemente doente. Não pode arriscar uma simples constipação, mas nada disso interessa. As vítimas são eles, coitados…






sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

AQUELE MAR - de João de Barros

Poema de João de Barros - Serra da Boa Viagem

Figueira da Foz, vista do Cabedelo

Figueira da Foz, vista da descida da Serra




Decorrido este tempo sem nada dizer deixo-vos estas fotos recolhidas de dois pontos opostos da Praia da Claridade. Há dias subi à Serra, onde existe um miradouro de onde se pode, ou melhor, poderia observar, tal como João de Barros o terá feito, quase toda a cidade, as praias e o mar. É ali que se encontra o poema da primeira foto. Porém e infelizmente tal não se pode fazer por que o referido miradouro está, literalmente, tapado pelos eucaliptos que invadiram a serra...
Se poderem passem por lá e apreciem, por algum cantinho, a deslumbrante paisagem. Vale a pena
Um dia destes volto.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

AS ÚLTIMAS...


O prometido é devido. Passados todos estes dias sem que me tenha manifestado muito, tenho o dever de informar todos os que se preocupam comigo. Hoje foi dia de consulta. Correu tudo de forma bem diferente. A minha querida médica informou-me, que dadas as melhoras significativas, não se vai avançar, para já, com a outra hipótese. Esperemos que estas sejam consistentes. Desculpem-me não entrar em mais pormenores.
Já agora, a receita foi: "passeiem, façam marchas a pé e viagem sem receios". Vamos tentar pôr isso em prática.
Como prova de amizade deixo-vos aqui estas flores recolhidas na última viagem.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

UMA PRENDA

É verdade. Muito embora não faça anos, pois ainda faltam alguns mesitos, recebi hoje uma prenda de um amigo que conheci aqui. É natural e residente no meu concelho de origem. Para além de outras coisas dedica-se à recolha da história das nossas terras. Tem feito um trabalho valioso e bem difícil.
Além disso dedica-se à fotografia dos mais surpreendentes sítios locais.
Acabou de publicar o Livro "BRUÇÓ" - As Memórias Paroquiais de 1747 e 1758 - Notas Históricas e Etnográficas".
Foi editado pela EDITORA CIDADE BERÇO, com o email "ecb. @mail.pt
Vale bem a pena adquirir um exemplar.
Recebi hoje um livro acompanhado de um CD com fotografias da minha terra, onde ocorreram festejos tradicionais que vale a pena ver.
O meu amigo Antero, a quem agradeço "esta viagem" à minha terra que de outra forma não poderia fazer, é também autor do blogue mogadouro(ho mogadoyro) http://mogadourense.blogspot.com/.
É um blogue muito interessante. Visitem-no que vão achar extraordinário.

Foto de Antero Neto (Farandulo e Moço)

Foto de Antero Neto (Moço e Sécia)

Foto de Antero Neto

Foto de Antero Neto (Farandulo em cima da Fogueira que dura do Natal até aos Reis)

A descrição das festas, da autoria de Antero Neto e retirada do seu blogue "mogadouro (ho mogadoyro":):

"Em Tó sai à rua, igualmente no dia 01 de Janeiro, o "Farandulo". Esta figura é acompanhada pelo "Moço" e pela "Sécia". Esta última transporta um ramo encimado por uma laranja e com diversos presentes pendurados. A missão do Farandulo consiste em roubar esse objecto à Sécia. Mas, para a proteger está lá o Moço que, munido de um varapau a vai guardando ao longo do percurso. Estes três personagens, acompanhados dos mordomos, dão volta à aldeia, onde vão tirando a esmola pelas casas que mantêm as portas abertas.
Esta tradição é parecida com a de Bruçó. Presumo que aquela espécie de colares que o Farandulo traz enrolados ao dorso fossem primitivamente compostos por ossos, para provocar um ruido semelhante ao dos chocalhos. E a subida à fogueira também a interpreto como uma manifestação da invocação do nascimento do Deus Sol: o menino Mitra que há-de iluminar o mundo, abençoando o novo ano.
Quem deseje começar o ano de maneira original já sabe: visite Tó, que não se arrependerá"