A PROPÓSITO DE NEVÕES:
Poderia começar este episódio assim: “In illo tempore”… mas não. Vem isto a propósito dos nevões que se fizeram sentir, sobretudo a norte, há algum tempo atrás.
Pelo que têm dito os meteorologistas as temperaturas vão descer de novo e é de esperar que volte a nevar.
Estes factos trouxeram-me à memória um nevão ocorrido quando ainda era uma criancinha, aí pelos 10 anos, há muito tempo.
Efectivamente, lá na minha terra, caiu um nevão que deixou a aldeia isolada, com neve na estrada, com mais de um metro de altura.
Não havia limpa-neve ou qualquer outra máquina que a pudesse retirar. Não havia protecção civil ou outra entidade para desobstruir a única via de ligação. Enfim, toda a gente estava entregue a si própria.
Vai daí, ao fim de uns oito dias de isolamento, o povo organizou-se e munido de pás foram desimpedir a estrada.
Como não podia deixar de ser, “para aquecer” lá ia o vinhito. Para além de outras vasilhas era utilizada a “bota”.
Para quem não sabe, a “bota” é uma espécie de cantil em pele que os “nuestros ermanos” usam, ou usavam. Dada a proximidade também lá era utilizada por muita gente. É uma “bota”, mas só de decoração, que vos mostra a foto.
Mas como ia dizendo lá apareceu uma “bota” cheia de vinho tendo eu e o meu amigo Celestino sido encarregados de a guardar e ir dando a quem a solicitasse.
Claro que os putos também queriam experimentar… Diga-se, de passagem, que não é fácil beber.
Normalmente eleva-se a “bota” aí a uns vinte ou trinta centímetros e aponta-se o esguicho para a boca. Claro que tomámos banho de vinho e beber nada. Mas resolvemos de imediato o problema. Desenrosca-se a tampa e aí vai disto.
Algum tempo depois não havia vinho, bebido e entornado, lá se foi…
"Bota", espécie de cantil.