quarta-feira, 17 de novembro de 2010

VIAGEM NO TEMPO

Recebi ontem o Boletim de "A PREVIDÊNCIA PORTUGUESA", onde vem publicado, na página em que se dá voz ao associado, o poema que a seguir transcrevo, por que ele traduz exactamente o meu actual estado, o meu sentir... Quase parece que o seu autor, o associado Senhor José Amaral, de Vila Nova de Gaia, me conhece, mas não:

VIAGEM NO TEMPO

Sou construtor de frases
Encadeadas e algum sentido,
Mas por vezes tenho fases
Que me sinto confundido.

Desabafo sentimentos e outras emoções;
No íntimo, com muitos lamentos,
Salpicado de desilusões
Fico com os meus pensamentos.

Nem tudo o que penso eu digo
Para não ser incompreemdido;
Alguns segredos eu bendigo
Ficarem no meu mundo perdido.

Já deste mundo pouco sou
Estou com horas marcado;
Cansado da jorna em que estou
Prefiro ser recambiado.

A Vida e a Morte
São um incógnito dilema:
Qual será a melhor sorte,
Ter uma ou outra por tema?

José Amaral



segunda-feira, 15 de novembro de 2010

FARANDULO

Farandulo
Foto "surripiada" ao thoense

Em Tó há, ou havia, diversas festas sempre muito concorridas  quer pelos naturais da freguesia quer pelos  habitantes das aldeias vizinhas.
Uma delas é a Festa do Menino que ocorre no primeiro dia de cada ano. Manda a tradição que três  rapazes se vistam de "Cécia" (mulher), de "Moço" e de "Farandulo".
O grupo, ao som do gaiteiro, percorre todas as ruas da aldeia, ao que me lembro, para recolher donativos para o Menino. Durante o trajecto o Farandulo mete-se com as meninas, pintando-as com cortiça queimada, assalta os fumeiros das residências e investe sobre a Cécia procurando agarrá-la. Destes ataques é defendida com afinco e galhardia pelo "Moço".
Durante a noite anterior, ou mesmo durante a tarde, é junta pelos rapazes muita lenha na Praça, em frente à Casa Grande, a qual era, na sua maioria, furtada.
É, então, ateado o fogo que arde sem parar cerca de oito dias. Á volta dela reúne-se toda a gente que, ao som do gaiteiro, vai bebendo uns copos e petiscando o que aparecer.
No dia um, a festa continuava com musica e arraial, onde nunca faltava o "jogo do pau", semelhante ao dos Pauliteiros de Miranda, quase sempre com cabeças partidas.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

FOTOS DE TÓ

 Igreja matriz

 Jardim nas trazeiras da Matriz

 Escola Primária/Casa do Povo

 Dois métodos de debulha, há 50 anos

Capela de Santo Cristo, há 50 anos


Altar-mor da Matriz

Escola antiga, onde andei e onde funcionou a mesa de voto nas eleições em que concorreu à Presidência da República o Sr. General Humberto Delgado

Estas são algumas das fotos de Tó, algumas actuais e outras com cerca de 50 anos. Gostaria de publicar uma foto panorâmica que tenho, mas não sei onde está. Talvez um dia a encontre. Agora é quase impossivel voltar lá para fazer outra...

domingo, 7 de novembro de 2010

AI SE FOSSE HOJE...

UMA HISTORIAZITA LÁ DO NORDESTE

Por motivos que, pelo menos agora, não vêm ao caso, nos idos de 1967, cá o rapaz deixou de estudar…
Passei algum tempo sem situação definida. Alguém, que já não recordo, disse-me para ir a um dos serviços públicos do concelho que me aceitariam como estagiário. Assim aconteceu.
Passados os três meses habituais de estágio em que se aprendiam as noções básicas da profissão, fui à minha vida, para casa de meus pais.
Numa visita, algum tempo depois, que fiz aos amigos daquele serviço, aparece-me o Sr. Chefe de Secretaria: “então andaste para aqui a “empatar” e agora não concorres?”… “não seja por isso”. “Empreste aí o Diário do Governo”.
E aí vai disto. Uma vaga em serviço idêntico de Aveiro. Fiz o respectivo requerimento em papel selado, como mandavam as regras, e voltei para a casa dos meus pais…
Isto ter-se-á passado antes do verão. Entretanto decorreram as férias e eu nada. Um outro dia que ali voltei, o mesmo senhor: “então ainda de férias? … “não porquê?”
“Então foste nomeado para Aveiro e andas aqui?”. “Não sei de nada, onde está isso?”
Visto o Diário do Governo, lá estava a minha nomeação e já tinha passado o prazo para tomar posse.
“Não há problema, vou fazer um requerimento”. E fiz. Contei a suas excelências que morava numa pequena aldeia do nordeste, onde não havia Diário da Republica e ninguém me tinha informado da nomeação pelo que requeria o alargamento do prazo.
E assim aconteceu. Passados poucos dias recebi um ofício em que me era concedido o prazo de mais 60 dias para tomar posse. Fi-lo no último dia…
E lá fui eu para Aveiro, de que nada conhecia…
Se fosse hoje… tinha ido às urtigas…